terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Apenas mais uma história...


( Esse texto foi uma resposta. Talvez fique um pouco vago, pois a primeira sequência não posso publicar aqui... Peço apenas que leiam com o coração)


O que ele não sabia, pois nunca ousou em perguntar, era que ela era fã de kings of convenience, e que até tinha cruzado um oceano para ver o show deles em Barcelona certa vez... E viu de pertinho, dançou todas as músicas, cantou, gritou, sozinha, e por fim, tentou ver um outro show deles, mais intimista, num teatro, mas acabou chegando atrasada e decidiu andar pelas ruas molhadas de Barcelona, bebendo cerveja barata de bar em bar, somente pela vontade de conversar com alguém... Acho que ela, na verdade, sempre esteve esperando encontrar alguém realmente especial, mas, por mais que ela tentasse, ninguém chamava sua atenção por completo... Ela até que tentava, tinha um caso ali, outro lá... Mas sempre estava sozinha!

Sua vontade de vivenciar novas situações e de curtir isso, encantava.
Tinha o dom da fala e facilmente fazia amizades, e isso era
perceptivo, era um traço marcante de seu personagem complexo. As
pessoas logo se identificavam com ela, pois ela podia falar sobre
qualquer assunto, do mais intelectual ao mais banal, todos de uma
forma tão mágica, e de uma perspectiva tão esquisita,que acabava
envolvendo...

Mas, o fato é que ela via o mundo de uma forma diferente, através de
lentes cor- de- rosa. Era fácil se apaixonar por ela, mas amá-la?
Ahhhh, aí já era uma outra história... Quem teria realmente coragem de aceita-la daquela forma?

Um dia ela cruzou a Augusta, até a Brigadeiro e acabou entrando numa livraria, por impulso, sem planejamentos. Tentava escolher algum livro pra começar a ler, pois gostava de passar horas dentro de seu apartamento com seus gatos... Foi até a sessão de cinema e escolheu um título: " Jules e Jim" e foi até o caixa... Quando ele a viu, quis puxar assunto, pois tinha se encantado pelo seu estilo meio chamativo de se vestir... Num momento meio súbito, soltou um: “Ahhh esse filme é o meu preferido, de todos os tempos!” - Ela riu, achou graça no jeito meio sem jeito dele e acabou ficando horas na livraria do lado do caixa conversando com ele...

A princípio, ficaram amigos, marcavam de almoçar toda segunda feira,eram almoços longos e ele sempre chegava atrasado na loja, e isso começou a incomodar seu gerente...

E assim foi, eles foram se apaixonando e quando perceberam, ele não
saia mais da casa dela. Eram encontros divertidos, as vezes mágicos,
outros nem tanto... Era bom dividir o tempo com ela!

Ele nunca perguntava nada sobre ela, tampouco ela pra ele, talvez pelo medo das respostas, preferiam falar sobre assuntos triviais, sobre música, sobre filmes, sobre o acaso, sobre o tempo... E riam! Sentiam uma espécie de felicidade pura... Felicidade pura? E isso existe? Bem, pra eles parece que sim...

Ela gostava de preparar o jantar para ele, não que cozinhasse bem, mas pensar nos detalhes, nos sabores, no cheiro do incenso que iria
acender, era um momento especial, pois, depois de muito tempo, ela
achava graça em alguém e tinha vontade de recebê-lo bem, de fazer com que aquele encontro fosse tão especial pra ele, como era para
ela... Sempre o recebia com um sorriso nos lábios, que se refletia em
seu olhar.  Ela o amava em silêncio, uma espécie de amor
incondicional, como esses de pai pra filho e isso ela nunca tinha
sentido por alguém, pois é tão difícil amar alguém sem pedir nada em troca... Claro que ela tinha medo, quem nunca sentiu medo de se
entregar pra alguém? Mas a vontade de planejar bobagens com ele era tanta, que ela resolveu arriscar...

E, numa noite, as coisas aconteceram de forma diferente. Eles não
conversaram, eles apenas transaram, várias vezes, desesperadamente!
Ela, então, previu o que estava para acontecer e aceitou: Ele nunca mais iria voltar!

E foi o que aconteceu...

Mas o engraçado disso tudo, é que ela não ficou triste por ele ter ido
embora, mesmo esperando todos os dias pela sua volta. Ela simplesmente o agradecia. Pode parecer estranho, mas ela estava plena, por ter conseguido sentir essa forma tão linda do amor! No fundo, o que ela queria, era que ele simplesmente abrisse seu coração para receber essa coisa toda, sem julgamentos, sem perguntas, somente porque era bom!

(...)

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Estrelas de "essepê"

Para você ver as estrelas em "essepê" vc tem que olhar diferente... ao invés de olhar para cima, deve-se olhar para baixo, para as pessoas... E a beleza de cada uma delas pode estar em qualquer esquina! Hoje, elogiei o colar de uma mulher no ônibus, ela ficou muito feliz e me contou que era ela que fazia, que já tinha sido camelô e hoje fazia os colares para vender e tirar mais uns trocadinhos... Continuou dizendo que estava muito feliz, pois tinha reavido sua casa, que os "malucos do bairro" tentaram tirar dela, isso depois de 25 anos, a escritura finalmente estava em seu nome! Me contou que chegou a ficar 5 dias presa por isso e que com fé, conseguiu sair de lá inteirinha. Depois me olhou e disse: profetizo pra vc um marido maravilhoso! Tem fé, irmã?, me perguntou... Eu disse que sim, ela continuou: Vai acontecer! E foi embora... Depois, fui comprar comidinhas no mercadinho e a caixa tinha uma voz muito marcante, disse isso pra ela, e continuei dizendo que ela deveria ser dubladora! Ela, com os olhos mareados em lágrimas me olhou e disse: Sempre foi meu sonho! São Paulo é o melhor lugar para encontrar personagens para qualquer roteiro, basta você saber olhar para eles...

Criações

Lendo um texto do Luiz Fernando Carvalho, sobre a construção de seu seriado Capitu, fiquei arrepiada por saber que a música escolhida para o seriado era outra, era uma do Caê, sendo que toda a narrativa da história, parte do principio do imaginário, e, a trilha, o som, é o que te conduz dentro deste sonho! No início, ficou sem chão sentiu-se traído pelo artista que havia concedido a música para outra novela! Perdera ele sua canção! Junto com ela, um pouco do que imaginara de sua Capitu! Depois da dor, vem a redenção, e ele encontrou a sua com muito louvor! Elephant Gun de Beirut! Isso só me faz pensar que num projeto artístico, nunca se deve desistir, mesmo nas maiores de suas dificuldades... Ás vezes o Caos vem para que se veja novamente a beleza no silêncio !

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Radiações

Disseram-me que meu sorriso não estava completo,

Que essa minha tal felicidade, era quase uma farsa!

Questionei-me...

Então, concluí o inevitável:

Não dá pra ser feliz pensando em você no mínimo seis vezes por dia!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Um sopro e mais um gole...

Desesperadamente me entrego ao meu fracasso.

Desisto!

Mesmo sendo insensato te deixar ir embora... Logo agora... Como seria meu futuro ao seu lado, com toda essa mágoa guardada? Prefiro ficar livre em seus sonhos, pensamentos e lembranças... Lembranças que não passam de folhas rasgadas e rabiscadas jogadas em uma caixinha, que tem que ficar escondida...

Como pude ser tão tola a ponto de te desejar assim? Talvez seja meu Karma ficar sem você! Mesmo recriando uma longa história sobre nós. Histórias que se fundem em linhas retas, como pensamentos mágicos... Que logo se transformam em círculos difíceis de separar, mas que são únicos...

Círculos dispostos em planos contrários, mas com a mesma história guardada em seu conjunto matemático difícil de entender... Por mais que eu tente, por mais que eu desista, por mais que eu minta para mim... Sempre será você!
E, minha íntima procura pelas eminências perdidas, de nada bastarão... Nunca FARÃO SENTIDO EM MEU CORAÇÃO...

Neste contexto todo, fico presa neste círculo vicioso que se tornou minhas retas paralelas... Um círculo que começa e sempre acaba em você!

Transformei-te em meu sonho de redenção! Transformei-te em minha busca imaginária por um amor que desconheço e que talvez nem exista...

Na realidade, seu “eu” maior não me serviria, pois o “eu” que te transformei já não faz parte de você... Ou talvez nunca tenha feito parte, pois te dei formas que, talvez, nunca foram tuas...

Agora minha moral cristã me condena por tudo que vivi ao seu lado. Por tudo que deixei de viver, e que de um modo estranho me tomou... Não há ninguém no mundo que me liberte e me conceda a absolvição! Talvez nem a mereça, pois não conseguiria... Seria um preço muito alto a pagar...

O que me resta é aceitar,

Lembrar!

Que seja o que for, quando for, sentirei...
Como senti quando te vi,
Novamente quando te beijei...
Mais uma vez quando pensei,
Outra vez quando escrevi!
E, quando pensei não mais sentir,
Senti por ter que esquecer...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Desabafo

Sei que não é momento pra escrever sobre o que há no coração, ou sobre essa coisa toda que nos tornamos em tão pouco tempo...

Sei que muito do que você pensa sobre mim é minha culpa. Sou muito sincera e sinceridade, por vezes soa a desprezo. Talvez não tenha te falado tudo o que mereceria ouvir... Mas, acredite: tudo o que disse é mais especial do que você possa imaginar.

Enxergo o mundo de uma maneira só minha, apesar de ser como ele é, só que por trás de lentes cor-de-rosa...

É uma idéia estimulante, imaginar momentos perfeitos e príncipes encantados... e eu fantasiava isso tudo com você... Adorava o cuidado de preparar o set list que iríamos ouvir, ou de comprar um bom vinho pra nos acompanhar numa noite de romance...

Isso tudo se perdeu!

No inicio, foi uma ideia estimulante,simples... até que sua presença em minha vida se tornou um pensamento involuntariamente recorrente. Sem querer, me via com um sorriso sonoro e bestificado que sentenciava o que estava acontecendo e correndo a todo vapor no meu sangue...

E foi então que comecei a me questionar em relação a nós...

Apaixonar-se é dar um banho de sol na alma. É a luz dos olhos, do coração.
O que acontece, entretanto, é que em boa parte dos casos, a paixão é apenas o começo da narrativa, aquela (e única) em que se é feliz...

(E você sempre se ilude demais sobre o que é a felicidade!)

E então, veio novamente uma grande dúvida: Eu estava sendo feliz???

Infelizmente, eu sei de algo terrível: O Amor pede mais do que se dá... e ter o experimentado, já é o círculo vicioso do querer e querer...

Relacionar-se é intrínseco para nós, só que o mais importante é a forma como revertemos para o nosso próprio crescimento aquilo que experimentamos através das relações... Toda experiência possui a intenção sobrenatural de ser positiva na construção de cada um de nós... Por isso me tornei o que sou e você o que é hoje...

Relacionamentos também deixam cicatrizes. Marcas na alma, na pele, no coração... Algumas não saem nunca de você, e então, aprende-se a viver com elas... Já me machuquei muito... e isso me fez perceber o quanto sou sensível, apesar de ser esta fortaleza que todos vêem.

Eu sinto de acordo com a forma que ajo e penso. Talvez, minha maneira de ser e dizer acaba provocando mal-entendidos, bagunçando sentimentos... Mas é muito provável que ninguém entenda absolutamente o que se passa comigo... E é comum, todos acharem que tudo está MUITO bem...

Não gosto de falar sobre os assuntos que me entristecem... até porque, odeio ir ao âmago de qualquer questão que seja... As vezes é tarde demais para contornar uma situação... ou me perco ao controle... e então jogo tudo pro alto, pois é mais fácil desistir do que lutar.

Meu cérebro certamente é ágil e lógico. Mas ele não tem qualquer ligação com o meu coração que é tão indefeso quanto minha mente é inviolável...  tudo isso, é uma forma de defesa, para não ter, mais uma vez, meu coração partido...

Nossa história acabou sem que eu pudesse entender.
 Hoje sou grata por isso.
 A beleza ás vezes chega de mãos dadas com a tristeza...

domingo, 22 de janeiro de 2012

Sobre canções...

Na verdade, é como quando você pega sua xícara de chá e assopra de leve e fica um espaço de tempo entre a fumacinha que sobe e o cheiro bom. É um vazio, uma nota que falta na canção, uma insolação...

(Como o som da sua voz!)

É como sentir o ar quente de sua respiração em minha nuca pela manhã... Abrir os olhos e dizer: Oi pessoa!

(E esperar o seu sorriso desajeitado)

Difícil negar que fiquei te olhando dormir por um certo tempo, antes de começar acariciar seus cabelos e passear meus dedos pelo seu rosto.

_Você dorme bonitinho, sabe?

_ Não tente me convencer disso...

Gosto do barulhinho bom que você faz a noite, como se vira e me dá beijinhos no pescoço e procura minhas mãos o tempo todo...

(Para ficar sempre pertinho)

Até agorinha, dava pra inventar que isto seria pra sempre. Era como forjar uma história de amor!

(O dia raiou, numa manhã fria e chuvosa, São Paulo estava com suas escalas de tons acinzentados, todos aqueles que variam no pantone até o preto profundo.)

_É, eu sei! Vivo de boas histórias pra contar...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Devaneios

O que eu queria te contar é algo tão misterioso quanto à própria vida. Talvez seja um pacto com a verdade... Talvez ela exista para ser vista e esquecida, assim como o saber... Aprende-se para guardar o que importa e esquecer o resto. Não acha?

Se você soubesse como esta noite foi diferente, como as horas demoraram a passar e como passaram rápido pela manhã... Se você soubesse como é acordar a noite e não ver seu rosto na penumbra... É. Talvez este seja meu Dom... Guardar estes momentos sombrios debaixo de meu travesseiro frio.

Sim. Eu disse sim, sei que você está bem e por isso não me culpo. Fico alegre, e caio em seguida numa tristeza sem dor. Talvez amanheça feliz, e a graça da inspiração se vá novamente... Pois só consigo ser pura na tristeza. Assim me mostro de verdade!

Bem, dormi assim: com meu travesseiro grande por entre minhas pernas e com o edredom sobre meu corpo. Fingi ser você! Este também é o meu grande dom... Ser uma fingidora! Mas acredito que isto não seja mal! Qual o mal em sonhar?

Isto tudo porque senti uma coisa horrível! Na realidade, me tocou... Tocou minha face, como um beijo gélido de um lábio morto! E não é estranho nem charlatanismo, mas o amor exige mais do que dá... E nunca se está satisfeito! Cobra-se, testa-se, perde-se... PRECISA-SE!
Quem gosta deseja que sejamos alguma coisa de que eles precisem, porque é tão difícil amar sem pedir nada em troca, como amor de mãe para filho...

O que descobri, ou realmente abri meus olhos para ver, foi o que eu fiz com o amor... Estraçalhou-se! Eu que pensei que eu sabia amar... Percebi que não! Nem isso eu sei! Existe amor aqui... Talvez seja loucura despejá-lo de uma vez... Seria melhor dosá-lo? Em pequenas gotas pela manhã, e alguns goles à noite! Só! E deixá-lo, enfim, fazer efeito!

Escrevo porque não sou capaz de falar. Quando falo sai um ruído quase inaudível e fraco. Ele não tem expressão, nem argumentos... Que seria ele? Cólera? Não! É tristeza, meu bem...

Não entender o que se é, dói! Não ser o que realmente se é, dói! E não se sabe que não se é, apenas percebesse que não se está sendo... Mas agora você está bem, isto que importa! Nada que em outra noite fria não se vá embora, com outro beijo gélido na face, nas penumbras da noite...

Às vezes sou forte demais. E por ser forte, sou destrutiva! Autodestrutiva, talvez... E, quem se destrói, destrói também os outros! Será que estou ferindo alguém? Mas uma coisa digo ao meu favor: Nada faço de propósito! Dói quando percebo que feri alguém... Sou impulsiva e vou... Depois fico com uma mágoa atascada no peito!

Você não acha que existe algo sinistro em tudo?
Há sim, enquanto se espera que o nosso coração entenda!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Adoro o jeito como te vejo.

Podia ter sido uma noite como outra qualquer. Podia não ter sentido nada a respeito, mas aconteceu alguma coisa que a fez mudar de idéia.

Era como todas as garotas que pensam que o amor é uma coisa simples assim, tão pura que acontece, sabe?

(...)

Era um sentimento antigo? Ou talvez novo...

_ Você Já esteve apaixonada?
_ Não ultimamente...
_ Nem eu.

(Uma coisa meio boba de se pensar... e estranha de se sentir. Era como se estivesse sentindo uma espécie de felicidade pura)

_ Felicidade Pura?
_ E isso acontece?
_ Acontece...

Ela estava ali, deitada ao seu lado, tentando entender. Entender como ficava com aquela coisa toda que a queimava por dentro e a fazia perder a razão...

(Virou para a esquerda e o vio dormir)

Adorava o jeito com que seus lábios formavam um coraçãozinho e entre eles ficava um espacinho, como se eles estivessem prontos para assoprar uma bolinha de sabão, de leve...
Adorava os seus olhos fechados, e como seus cílios formavam uma curvinha...
Adorava seus cabelos despenteados e os cachinhos que se misturavam com o travesseiro...

E seu cheiro bom!

(O olhava e fechava os olhos até poder guardar aquela imagem pra sempre em seu imaginário.)

Era como recriá-lo em um retrato em preto e branco!

(Adoro o jeito como te vejo)

_ Me dá a sua mão?
_ Me abraça forte...
_ Não se vá...


Ele havia a encontrado. Mas não soube muito bem o que fazer com este encontro... Talvez não estivesse livre o suficiente para entendê-lo. Parecia meio desligado demais para percebê-la como ela queria que a percebesse. Ela brilhou pra ele no instante em que se viram... E ele pra ela... Por que não? Porque as coisas reais não são como roteiro de filmes, e mesmo que tivesse sido mágico, havia um espaço de tempo completamente diferente entre eles...

(Incompatibilidade de tempo?)

_ Você foi simplesmente incrível!
_ Me arrependo de não ter sido mais...
_ Então seja, agora...

Não conseguia entender. Por que as pessoas se perdem umas das outras? Elas simplesmente se vão, fogem, somem... E o que restam são lembranças espalhadas e marcadas em todas as partes do corpo, da alma...

Sentimentos que você não consegue esquecer, ou não quer esquecer,eles simplesmente são aquilo que o faz se sentir vivo... Nada que aconteça, poderia mudar esta vontade louca de se sentir viva naquilo que você criou e recriou na sua alma.

(Mesmo que tudo não passe de uma grande mentira!)

_ Não posso ficar mais.
_ Fica.
_ Não quero!

(Ela entendeu...)

Uma lágrima escorreu de um de seus olhos e soube... Soube que nada que ela fizesse, o faria mudar. Nada que ela livremente havia criado em seu coração sobre eles... Ou sobre ela. Ele. Eles. Nada...

_ As melhores histórias são aquelas que nunca serão esquecidas...
_ Claro, as vitórias não deixam cicatrizes.
_ “Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros”.


(“Então fica bem, se eu sofro um pouco mais!”)

sábado, 7 de janeiro de 2012

Nostalgia

Ganhava-se a cada instante, uma nostalgia de alegria, de jardim e sombra...
Descobria em si, uma tremenda vontade de viver...
Apesar de viva, provava o gosto estranho da morte!
Cada instante nu, era como se reafirmasse mulher e provasse a si mesma seu poder...

Poder de que?

De sentir em seu peito as batidas agudas de um coração perdido...
Mesmo este estando cheirando a carne crua de coração de porco arrancado e destroçado!

Sim, eu mesma escrevo a mim! Não que eu não tenha a quem escrever... Talvez tenha encontrado muitas razões para escrever e a quem escrever, mas, quem escreve a mim, se não eu?

Eu estou com uma sensação de agulha no peito! Pontadas espaçadas e de uma doce dor!

Distância nunca foi para mim um problema tão grande... Nem tão dolorido como vem sendo agora... E, mesmo que não seja apenas uma tal distância física, seja uma distância pré- determinada, obrigatória e simples, você ainda consegue fazer parte de uma grande parte de meus pensamentos... Não consigo esconder meu sorriso doce ao pensar em ti...

Sabe, foi tão bonitinho tudo... Seu sorriso sem jeito, seu olhar de canto... Seus ângulos desfocados de delicadeza e glória!

Mas, me contenho em mim!
Ainda assim, mesmo estando em certa distância, me prendo a ti!
Querendo, não querendo e limpando minha lágrima do olho esquerdo...
Sim, sempre do olho esquerdo!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Dez dias ou mais...

Você me pergunta sobre a copa de 82 e diz que não tem a menor paciência para estes ensaios de moda daquela revista sobre Berlim... Isso só pra lembrar a enorme diferença entre nossos mundos...

Mas quando estamos a sós, as diferenças se tornam somas, os minutos mágicos e nós, um!

Me fala sobre o tempo e me ensina a acreditar em números não exatos. Coloca aquele disco do Nelson Gonçalves que nunca ouvi e me diz algumas coisas sobre como ele se parece com teu pai...

Me faz um carinho, me pega de mansinho, me olha com seus olhos verdes-ressaca e solta um sorriso bom. E então me apaixono pela "ruguinha" que se forma perto de teus olhos quando sorri...

Depois de mais uma taça de vinho, com a luz amena, com a lua crua, me confessa que tem síndrome de John Lennon e que procura sua Yoko, passando as mãos sobre meus cabelos, de leve.

A manhã chega, depois do café, o seu com açúcar e o meu com adoçante, veste sua roupa e se vai, em paz...

Fico a esperar. A tua mensagem que talvez... O teu sorriso que não vem...

cartas a ninguém...

Ninguém:

Não sei porque escrevo a ti.
Talvez por querer me salvar. Já faz algum tempo em quem me perdi de mim. Simplesmente não encontrei palavras...
Essas existem por si. São instantâneas e brotam conforme as transformo em letras. Em cada palavra aqui, pulsa um coração. Cada palavra é viva. Esse coração simplesmente é!
Sim. Quero que você me leia. Só não procure me entender. Complexidade sempre foi o meu melhor ato. Sou uma atriz! Faço minha entrada, digo minha fala e me vou. Às vezes improviso... Não gosto de repetir espetáculos e por isso fujo do cotidiano. Meu maior medo...
Não sei viver sem ser o que for sendo! E então me jogo ao acaso. Realidade? E se a realidade for que nada existiu? Quem sabe nada me aconteceu? O instante é feito por nós? Ou se faz sozinho?
Nunca te disse nem te direi quem sou! Sou implícita! Talvez um personagem de mim...
Meu segredo intocável, perigoso e inviolável! SEMPRE TRÊS QUALIDADES...
Sei que “ninguém” foge quando tudo começa a ficar bom... ”Ninguém” desconfia!
FALANDO SÉRIO... O QUE É QUE EU SOU?

Eu sou a forma que “ninguém” me deu. O real que “ninguém” quis. Um reflexo deformado do que “ninguém” deseja. Sou seu espelho e o reflexo de sua rosa! Sou sua perfeição desejada em alguém inesperado e indesejado! Sou seu medo do acaso, seu medo de felicidade, sou mil personagens em apenas um ser... Isso te assusta?

“Ninguém”sentiu em ti uma vibração perigosa de prazer e de simplicidade... Fugiu de sensações e prendeu-se num sentimento morto e doentio! Forjou o amor e seu fogo do inferno...
“Ninguém” te deu o direito maior de errar...
“Ninguém” percebeu que só seria feliz forjando sua felicidade dentro de sua infelicidade... O que escrevo a “ninguém” são puras inequações matemáticas irresolvíveis...
“Ninguém” não consegue ser livre. Fica com uma tal nostalgia que se persegue. Prende-se ao organizado. Tem medo de recriar! Eu sou a “ninguém” sua loucura de perfeição! Aquilo que “ninguém” esculpiu, deu vida e... Quebrou! Não estava pronto para ter sua mais bela obra completada. Desistiu de voltar a moldar... E , assim, abandonou a alma!
“Ninguém” vive sua vida imaginária , que é viver do passado ou para o futuro. Vive a esperança . O presente te traz dores! “Ninguém” não tem dom para a felicidade!
DETESTO-ME! Simplesmente! Sei de tudo antes de acontecer e isso me cansa...
Gosto do imprevisível. Sou subjetiva. Talvez precise me purificar de mim. Deixar os roteiros, saber o release e improvisar!
“Ninguém” não mais me é. Porém ele nunca some! Dei-te a liberdade e “ninguém” me rodeia...Sombras?

Acabo sem despedidas...