domingo, 22 de janeiro de 2012

Sobre canções...

Na verdade, é como quando você pega sua xícara de chá e assopra de leve e fica um espaço de tempo entre a fumacinha que sobe e o cheiro bom. É um vazio, uma nota que falta na canção, uma insolação...

(Como o som da sua voz!)

É como sentir o ar quente de sua respiração em minha nuca pela manhã... Abrir os olhos e dizer: Oi pessoa!

(E esperar o seu sorriso desajeitado)

Difícil negar que fiquei te olhando dormir por um certo tempo, antes de começar acariciar seus cabelos e passear meus dedos pelo seu rosto.

_Você dorme bonitinho, sabe?

_ Não tente me convencer disso...

Gosto do barulhinho bom que você faz a noite, como se vira e me dá beijinhos no pescoço e procura minhas mãos o tempo todo...

(Para ficar sempre pertinho)

Até agorinha, dava pra inventar que isto seria pra sempre. Era como forjar uma história de amor!

(O dia raiou, numa manhã fria e chuvosa, São Paulo estava com suas escalas de tons acinzentados, todos aqueles que variam no pantone até o preto profundo.)

_É, eu sei! Vivo de boas histórias pra contar...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Devaneios

O que eu queria te contar é algo tão misterioso quanto à própria vida. Talvez seja um pacto com a verdade... Talvez ela exista para ser vista e esquecida, assim como o saber... Aprende-se para guardar o que importa e esquecer o resto. Não acha?

Se você soubesse como esta noite foi diferente, como as horas demoraram a passar e como passaram rápido pela manhã... Se você soubesse como é acordar a noite e não ver seu rosto na penumbra... É. Talvez este seja meu Dom... Guardar estes momentos sombrios debaixo de meu travesseiro frio.

Sim. Eu disse sim, sei que você está bem e por isso não me culpo. Fico alegre, e caio em seguida numa tristeza sem dor. Talvez amanheça feliz, e a graça da inspiração se vá novamente... Pois só consigo ser pura na tristeza. Assim me mostro de verdade!

Bem, dormi assim: com meu travesseiro grande por entre minhas pernas e com o edredom sobre meu corpo. Fingi ser você! Este também é o meu grande dom... Ser uma fingidora! Mas acredito que isto não seja mal! Qual o mal em sonhar?

Isto tudo porque senti uma coisa horrível! Na realidade, me tocou... Tocou minha face, como um beijo gélido de um lábio morto! E não é estranho nem charlatanismo, mas o amor exige mais do que dá... E nunca se está satisfeito! Cobra-se, testa-se, perde-se... PRECISA-SE!
Quem gosta deseja que sejamos alguma coisa de que eles precisem, porque é tão difícil amar sem pedir nada em troca, como amor de mãe para filho...

O que descobri, ou realmente abri meus olhos para ver, foi o que eu fiz com o amor... Estraçalhou-se! Eu que pensei que eu sabia amar... Percebi que não! Nem isso eu sei! Existe amor aqui... Talvez seja loucura despejá-lo de uma vez... Seria melhor dosá-lo? Em pequenas gotas pela manhã, e alguns goles à noite! Só! E deixá-lo, enfim, fazer efeito!

Escrevo porque não sou capaz de falar. Quando falo sai um ruído quase inaudível e fraco. Ele não tem expressão, nem argumentos... Que seria ele? Cólera? Não! É tristeza, meu bem...

Não entender o que se é, dói! Não ser o que realmente se é, dói! E não se sabe que não se é, apenas percebesse que não se está sendo... Mas agora você está bem, isto que importa! Nada que em outra noite fria não se vá embora, com outro beijo gélido na face, nas penumbras da noite...

Às vezes sou forte demais. E por ser forte, sou destrutiva! Autodestrutiva, talvez... E, quem se destrói, destrói também os outros! Será que estou ferindo alguém? Mas uma coisa digo ao meu favor: Nada faço de propósito! Dói quando percebo que feri alguém... Sou impulsiva e vou... Depois fico com uma mágoa atascada no peito!

Você não acha que existe algo sinistro em tudo?
Há sim, enquanto se espera que o nosso coração entenda!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Adoro o jeito como te vejo.

Podia ter sido uma noite como outra qualquer. Podia não ter sentido nada a respeito, mas aconteceu alguma coisa que a fez mudar de idéia.

Era como todas as garotas que pensam que o amor é uma coisa simples assim, tão pura que acontece, sabe?

(...)

Era um sentimento antigo? Ou talvez novo...

_ Você Já esteve apaixonada?
_ Não ultimamente...
_ Nem eu.

(Uma coisa meio boba de se pensar... e estranha de se sentir. Era como se estivesse sentindo uma espécie de felicidade pura)

_ Felicidade Pura?
_ E isso acontece?
_ Acontece...

Ela estava ali, deitada ao seu lado, tentando entender. Entender como ficava com aquela coisa toda que a queimava por dentro e a fazia perder a razão...

(Virou para a esquerda e o vio dormir)

Adorava o jeito com que seus lábios formavam um coraçãozinho e entre eles ficava um espacinho, como se eles estivessem prontos para assoprar uma bolinha de sabão, de leve...
Adorava os seus olhos fechados, e como seus cílios formavam uma curvinha...
Adorava seus cabelos despenteados e os cachinhos que se misturavam com o travesseiro...

E seu cheiro bom!

(O olhava e fechava os olhos até poder guardar aquela imagem pra sempre em seu imaginário.)

Era como recriá-lo em um retrato em preto e branco!

(Adoro o jeito como te vejo)

_ Me dá a sua mão?
_ Me abraça forte...
_ Não se vá...


Ele havia a encontrado. Mas não soube muito bem o que fazer com este encontro... Talvez não estivesse livre o suficiente para entendê-lo. Parecia meio desligado demais para percebê-la como ela queria que a percebesse. Ela brilhou pra ele no instante em que se viram... E ele pra ela... Por que não? Porque as coisas reais não são como roteiro de filmes, e mesmo que tivesse sido mágico, havia um espaço de tempo completamente diferente entre eles...

(Incompatibilidade de tempo?)

_ Você foi simplesmente incrível!
_ Me arrependo de não ter sido mais...
_ Então seja, agora...

Não conseguia entender. Por que as pessoas se perdem umas das outras? Elas simplesmente se vão, fogem, somem... E o que restam são lembranças espalhadas e marcadas em todas as partes do corpo, da alma...

Sentimentos que você não consegue esquecer, ou não quer esquecer,eles simplesmente são aquilo que o faz se sentir vivo... Nada que aconteça, poderia mudar esta vontade louca de se sentir viva naquilo que você criou e recriou na sua alma.

(Mesmo que tudo não passe de uma grande mentira!)

_ Não posso ficar mais.
_ Fica.
_ Não quero!

(Ela entendeu...)

Uma lágrima escorreu de um de seus olhos e soube... Soube que nada que ela fizesse, o faria mudar. Nada que ela livremente havia criado em seu coração sobre eles... Ou sobre ela. Ele. Eles. Nada...

_ As melhores histórias são aquelas que nunca serão esquecidas...
_ Claro, as vitórias não deixam cicatrizes.
_ “Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros”.


(“Então fica bem, se eu sofro um pouco mais!”)

sábado, 7 de janeiro de 2012

Nostalgia

Ganhava-se a cada instante, uma nostalgia de alegria, de jardim e sombra...
Descobria em si, uma tremenda vontade de viver...
Apesar de viva, provava o gosto estranho da morte!
Cada instante nu, era como se reafirmasse mulher e provasse a si mesma seu poder...

Poder de que?

De sentir em seu peito as batidas agudas de um coração perdido...
Mesmo este estando cheirando a carne crua de coração de porco arrancado e destroçado!

Sim, eu mesma escrevo a mim! Não que eu não tenha a quem escrever... Talvez tenha encontrado muitas razões para escrever e a quem escrever, mas, quem escreve a mim, se não eu?

Eu estou com uma sensação de agulha no peito! Pontadas espaçadas e de uma doce dor!

Distância nunca foi para mim um problema tão grande... Nem tão dolorido como vem sendo agora... E, mesmo que não seja apenas uma tal distância física, seja uma distância pré- determinada, obrigatória e simples, você ainda consegue fazer parte de uma grande parte de meus pensamentos... Não consigo esconder meu sorriso doce ao pensar em ti...

Sabe, foi tão bonitinho tudo... Seu sorriso sem jeito, seu olhar de canto... Seus ângulos desfocados de delicadeza e glória!

Mas, me contenho em mim!
Ainda assim, mesmo estando em certa distância, me prendo a ti!
Querendo, não querendo e limpando minha lágrima do olho esquerdo...
Sim, sempre do olho esquerdo!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Dez dias ou mais...

Você me pergunta sobre a copa de 82 e diz que não tem a menor paciência para estes ensaios de moda daquela revista sobre Berlim... Isso só pra lembrar a enorme diferença entre nossos mundos...

Mas quando estamos a sós, as diferenças se tornam somas, os minutos mágicos e nós, um!

Me fala sobre o tempo e me ensina a acreditar em números não exatos. Coloca aquele disco do Nelson Gonçalves que nunca ouvi e me diz algumas coisas sobre como ele se parece com teu pai...

Me faz um carinho, me pega de mansinho, me olha com seus olhos verdes-ressaca e solta um sorriso bom. E então me apaixono pela "ruguinha" que se forma perto de teus olhos quando sorri...

Depois de mais uma taça de vinho, com a luz amena, com a lua crua, me confessa que tem síndrome de John Lennon e que procura sua Yoko, passando as mãos sobre meus cabelos, de leve.

A manhã chega, depois do café, o seu com açúcar e o meu com adoçante, veste sua roupa e se vai, em paz...

Fico a esperar. A tua mensagem que talvez... O teu sorriso que não vem...

cartas a ninguém...

Ninguém:

Não sei porque escrevo a ti.
Talvez por querer me salvar. Já faz algum tempo em quem me perdi de mim. Simplesmente não encontrei palavras...
Essas existem por si. São instantâneas e brotam conforme as transformo em letras. Em cada palavra aqui, pulsa um coração. Cada palavra é viva. Esse coração simplesmente é!
Sim. Quero que você me leia. Só não procure me entender. Complexidade sempre foi o meu melhor ato. Sou uma atriz! Faço minha entrada, digo minha fala e me vou. Às vezes improviso... Não gosto de repetir espetáculos e por isso fujo do cotidiano. Meu maior medo...
Não sei viver sem ser o que for sendo! E então me jogo ao acaso. Realidade? E se a realidade for que nada existiu? Quem sabe nada me aconteceu? O instante é feito por nós? Ou se faz sozinho?
Nunca te disse nem te direi quem sou! Sou implícita! Talvez um personagem de mim...
Meu segredo intocável, perigoso e inviolável! SEMPRE TRÊS QUALIDADES...
Sei que “ninguém” foge quando tudo começa a ficar bom... ”Ninguém” desconfia!
FALANDO SÉRIO... O QUE É QUE EU SOU?

Eu sou a forma que “ninguém” me deu. O real que “ninguém” quis. Um reflexo deformado do que “ninguém” deseja. Sou seu espelho e o reflexo de sua rosa! Sou sua perfeição desejada em alguém inesperado e indesejado! Sou seu medo do acaso, seu medo de felicidade, sou mil personagens em apenas um ser... Isso te assusta?

“Ninguém”sentiu em ti uma vibração perigosa de prazer e de simplicidade... Fugiu de sensações e prendeu-se num sentimento morto e doentio! Forjou o amor e seu fogo do inferno...
“Ninguém” te deu o direito maior de errar...
“Ninguém” percebeu que só seria feliz forjando sua felicidade dentro de sua infelicidade... O que escrevo a “ninguém” são puras inequações matemáticas irresolvíveis...
“Ninguém” não consegue ser livre. Fica com uma tal nostalgia que se persegue. Prende-se ao organizado. Tem medo de recriar! Eu sou a “ninguém” sua loucura de perfeição! Aquilo que “ninguém” esculpiu, deu vida e... Quebrou! Não estava pronto para ter sua mais bela obra completada. Desistiu de voltar a moldar... E , assim, abandonou a alma!
“Ninguém” vive sua vida imaginária , que é viver do passado ou para o futuro. Vive a esperança . O presente te traz dores! “Ninguém” não tem dom para a felicidade!
DETESTO-ME! Simplesmente! Sei de tudo antes de acontecer e isso me cansa...
Gosto do imprevisível. Sou subjetiva. Talvez precise me purificar de mim. Deixar os roteiros, saber o release e improvisar!
“Ninguém” não mais me é. Porém ele nunca some! Dei-te a liberdade e “ninguém” me rodeia...Sombras?

Acabo sem despedidas...