terça-feira, 16 de abril de 2013

Resgate

Demorei muito pra compreender. 

Num primeiro momento pensei que era apenas uma quebra de preconceitos, a ruptura daquilo que eu achava ser importante e na realidade era banal, mas isso foi somente o início. 

O que aprendi foi tão maravilhoso e mágico que quis compartilhar, para quem sabe, um dia você aprenda também. Eu sei, só consigo falar daquilo que vivi. Tu tens razão!

Na verdade, tudo foi para me fazer um resgate. Um resgate da minha criança interior, que estava escondida, quase morta dentro de mim... O processo começou antes, confesso, mas aí ele se firmou.

Não sei se entende quando falo de resgate da criança interior, pode soar como um termo meio específico usado por terapeutas, talvez uma banalidade... Mais uma que lhe exponho em palavras...

Trata-se do resgate dos sentimentos mais puros, de permitir redescobrir tudo aquilo que se gostava e foi deixando de lado.

Algo que escondemos para crescer e conseguir vencer neste mundo de adultos, e então, criamos esta armadura, perante tudo aquilo que os outros esperam que sejamos,  mesmo que na verdade não seja lá tudo o que realmente gostaríamos de ser... 

Permito-me deixar essa armadura de lado e amar, sem medo do que possa acontecer, sem deixar que o medo da dor me tome, ou de tudo aquilo que já me machucou... Permito-me ver de novo pela primeira vez o mundo, com a ingenuidade dos olhos de uma criança, que acha graça nas mínimas descobertas, que observa por horas uma flor ou o bater das asas de uma borboleta, sentindo o verdadeiro fascínio do novo...

Um modo de me reconectar com a minha criança criativa, aquela que canta, dança, sorri, escreve, sem ter que ser aceita por alguma condição que a sociedade impõe...

E então, não julgo os desejos do meu coração...

Permito-me sentir, todos os sentimentos e sensações que brotam na minha alma: tristeza, alegria, amor, e acreditar... Acreditar que posso sentir tudo sem medo... Sem ter que esconde-los por julgamentos ou para esconder minhas fragilidades.

Sabe, ás vezes penso que a sociedade é dura demais conosco. Ela prega que a saída pra tudo na vida é ser racional, forte, e adulto! E então, nos reprimimos, nos machucamos e temos medo de nos machucar de novo... Só ficamos com grandes cicatrizes!

Sabedoria é muito diferente de conhecimento. Talvez seja o momento de pararmos de acumular conhecimento para sermos sábios, utilizando todo o conhecimento adquirido de forma real. A criança faz isso, ela sabe utilizar de tudo o que ela aprende... e é feliz.

Permita-se também!

terça-feira, 5 de março de 2013

Vestígios

Respira!

"Tudo é uma versão de alguma coisa"

Repete ela...

Diante dos fatos, dos acasos, das situações.

Tive uma história assim, há algum tempo atrás, em outra vida, quando ainda era apenas um ovo de uma borboleta. Não estava nem na minha fase lagarta. Era um embrião.

Me apaixonei.
Naqueles tempos, não entendia muito bem como essa coisa acontecia, só sentia uma sensação boa, um formigamento, que se mostrava em sorrisos... e ganhei dele um apelido: Garota sunshine!
Ele dizia que acordar com meu sorriso era como ter toda a beleza do amanhecer... E eu acreditei. Parecia que tinha adentrado em um universo desconhecido, tão perigoso e mágico, que fazer parte dele já me bastava... e então aconteceu.
Foram 21 dias. O necessário para que um novo hábito se instalasse em mim. Uma nova maneira de sentir o mundo.
O processo veio rápido. Todo o sentimento que a paixão pode nos trazer, todos os benefícios físicos e emocionais. Constatei: foi quase amor...
(...)
Ao seu fim houve um abismo. Uma devastação. Enfim o desapego!
A garota Sunshine se tornou a garota midnight. Eram apenas trevas.
O ego me feriu com uma espada, minha alegria por tempos nem me dava lembranças, meu mundo mágico despencou numa realidade concebida com dor.

Ele se foi. Preferiu o passado. Me deixou.

O embrião ainda não entendia aquilo tudo, não soube como passar pelo processo, pulou fases, cultivou algumas intrigas, se colocou num jogo quase imoral...

Alguns anos se passaram.
Estas sombras me rondavam, sem fim, com os mesmos sentimentos entalhados na alma a cada encontro.
Foi quando compreendi.
Agora na transformação,
Quase no grande ato final!

Finalizações...

A vida te cobra.
Fugir dos problemas mal resolvidos acarreta em se deparar com eles novamente em outra fase.
Talvez seja a chance que a vida te dá de fazer certo.
Até nas noites mais tenebrosas existe a luz do luar, mesmo escondida entre nuvens negras!



Em busca do seu Eu.

Como você se sente hoje?

Muitas vezes, nos deparamos em momentos difíceis, em que não conseguimos entender o que sentimos e a solidão, a carência e a auto piedade tomam conta de nossas almas, nos deixando uma frequência vibratória bem baixa.

Talvez isso seja um pequeno deslize de seu caminho, um momento de fraqueza, mas se estas ondas vibratórias continuarem nesta frequência, esta pequena dor pode fazer um estrago enorme para seu corpo e sua mente.
Se perceberem que diversos sentimentos te invadem, dos quais não consegue entender e separar exatamente um do outro, silencie. É chegado o momento do auto conhecimento e da aceitação!
Se pergunte: realmente sei definir quando estou triste, melancólico, com ciúmes, raiva, inveja, frustado, etc? Ou será que sei apenas na definição humana, na teoria? Será que sei definir e separar cada sentimento que invade minha alma e curá-lo?
Nestes momentos é necessário um silêncio mais profundo, uma jornada que se deve fazer só.
Sei que é difícil ficar só, mas você deve ser a melhor companhia para você mesmo.
Você tem que se gostar antes de qualquer pessoa!
Nos momentos que nos vemos só, são os momentos que mais nos encontramos.
Por isso, aproveite este vazio no peito e transforme sua solidão em auto conhecimento! Te faça companhia, sinta-se livre para sentir tudo aquilo que não gostaria, para entender e aprender a lidar com estas mágoas e angústias, buscando dentro do seu ser a sua própria cura.
Este é o teu momento de libertação!
Não espere mais para lidar com o seu próprio eu!
E agora, te deixo uma pergunta para refletir:

Será que me sinto bem em minha própria companhia?

AHO!

O que te guia?



A tua energia te guia,

Ela te nutre e transforma a sua vida.

Então, antes de transmitir para outras pessoas pensamentos negativos, de inveja, de intolerância, de julgamentos, pare! Respire! E lembre-se: Toda a energia que você está gerando de mal para o outro, está destruindo, primeiramente você. Você quem sofre por se sentir assim, por se sentir rejeitado e se deparar com tuas próprias sombras sem ao menos tentar aprender com elas! Somos sempre espelhos de nós mesmos.
Aquilo que nos incomoda no outro, na verdade é aquilo que incomoda em nós, é o efeito da projeção, um dos mecanismos mais normais de defesa do Ego.
O que está acontecendo agora, neste exato momento, no nosso universo, é que estamos sendo massacrados para nos defrontarmos com aquilo que somos e isso dói. Ninguém gosta de ver suas fraquezas, seu lado ruim...
Ao invés de ativar sua vitimização, tente aceitar sua sombra e trabalhar para transmutá-la.
Rejeição dói.
Ser privado de estar com quem se ama, dói.
Mas antes de jogar para o outro esta dor, de tentar fazer com que o outro se sinta como vc, para se sentir mais seguro, trabalhe este sentimento dentro do seu ser. Fazer os outros sofrerem ou se incomodarem com você pq vc se sente incomodado, é uma maneira de se vitimizar e quem se vitimiza não consegue se curar! Nós somos nossos próprios curadores, ninguém irá nos curar se não quisermos ser curados.

Silencie sua mente.
Se veja.
Se ame.

E reflita: Aonde está este buraco no meu amor próprio que estou precisando tanto da aceitação do outro?

O Amor vem do encontro entre a necessidade e a possibilidade!
O que você está fazendo para gerar possibilidades que supram suas necessidades?
Se vc não consegue fazer isso com vc, é injusto jogar esta responsabilidade para o outro!

Acalma teu coração!
Siga em frente!
Você pode escolher ser feliz!

AHO!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Entre eu e sua câmera

(trecho extraído de um roteiro que estou escrevendo... Só pra dar o gosto do que vem por aí!)

Ela:

Sabe, já tive minha vida dirigida pelo Woody. Foram tempos difíceis.

Depois veio o Almodóvar. Adorava as loucuras do mundo underground de
SP e como ele conduzia as cenas, posso dizer com a boca cheia que me
divertia naquela loucura toda!

Apareceu, então a Sofia... Foram tempos de muitas imagens, cores opacas,
pessoas bonitas e trilhas sonoras incríveis.
As locações também eram de dar inveja pra qualquer um! Grandes festas em navios, regadas a Veuve Clicquout...
Mas era tediosa demais aquela vida, me sentia vazia. A dispensei!

Rezei para que o Tarantino não aparecesse. Escapei dele por um dia. Seria uma tremenda saga com sangue. O episódio até aconteceu, mas fui poupada da cena do crime!

E então, me encontrei em Bertolucci! Acho que foram os dias mais felizes...
Porém, ele largou mão da direção. Acho que não gostava muito de mim como atriz.
Me dispensou. Eu, como sempre aceitei. Nem contestei sua escolha...

Depois pedi por Wong Kar Wai... Tava com ele, até um pouco antes de você aparecer e ele me deixar por aborrecimento.
Pediu demissão.

(...)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A quem receberia...



Acabei meu livro.

Estou triste...

Faz uns dias que isso aconteceu e ainda estou avaliando.

Tamanha a destruição que causou. Foi um terremoto!

Sei que muitos me dirão: "Só agora você leu?", à eles, digo que não estava preparada para ser tua amiga antes...
Se eu o lesse antes, talvez nunca o sentisse como senti, pois o assunto de que trata, me era vago,insosso, quase platônico.
Precisava ter chegado até onde estou para compreendê-lo. Agora o fiz.

Ronaldo Moura me presenteou, no dia em que disse adeus ao retorno de Saturno.
Foi Eclipse!

Devorei, abracei, desejei, sonhei com ele até mais que a metade, até pedir arrego e me resguardar... não queria perder sua companhia, não queria finalizar a leitura!

Nunca me aconteceu isso com um livro. Ou termino logo, ou acabo no desinteresse total, mas com ele foi diferente, sentia-me sua confidente, meu parceiro, quase irmão.

Agora o larguei. Como os atores "largam" uma peça de teatro depois de toda decorada...
Ele continua ali, na cabeceira da minha cama, ao meu lado direito, chamando por mim...
Folheio, releio partes grifadas de noite e rio macio por dentro.

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios não é somente um romance, é uma aprendizagem, uma lição a ser compreendida e sentida.

Pra quem ainda não teve oportunidade de ter essa amizade, sugiro que tome coragem e se entregue.
O mais ruim que te pode acontecer, é ter que trabalhar o desapego ao seu fim, como eu.

Valeu, Marçal!
Vou levar seus personagens pra sempre tatuados na alma!

Pro Casulo


Pedidndo licença poética para Letuce, por desconstruir e reconstruir trechos de tua canção:

Quando cê chega
É cataploft, é cataploft
No meu peito

Cê vai embora e eu não durmo
Só se chove,
Só com nuvens...

O acaso não é por nada,
Me encara,
cara a cara!

Casulo, cê nunca teve tão bonito
Nem em sonhos
vestígios...

Os outros são absurdos,
ocasionais,
iguais,
Sem "mais"

A gente tem que acreditar
Na gente!

Pois cê chega,
Cataploft!

Um surto
No susto, amor.


http://www.youtube.com/watch?v=7hMwbbUJveg

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Feita de som

Eu sou feita de distorção e mal contato...

 Canto e danço em meio ao compasso errado.

 Sem par, me viro no ar, desfaço!

 Me transformo em diversos tons,

 Brilho com o som da bateria

 (...)

 E paro!
 Espero agora o próximo passo.