segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
O samba do Chic e Humilde
Tudo muito bom, mega bom!
E pra comemorar meus 3.2, decidi dividir com vocês algumas histórias engraçadas que aconteceram comigo, durante estes anos todos. Vai ser uma coisa a lá "Peixe grande", e vou tentar uma história por semana, tudo bem?
E, pra começar, vou contar a história do samba, composto pra mim na Lapa, numa destas viagens que fiz para a cidade maravilhosa, Rio de Janeiro.
Chic e Humilde
Estávamos eu e Cyntia Andrade num fim de tarde no bar da ladeira, um boteco legal, que toca um sambinha bom. Ele fica perto dos arcos, num lugar estratégico para curtir o fim de tarde acompanhado de uma boa cervejinha gelada.
Era nossa última tarde no Rio, nosso vôo sairia logo mais. Resolvemos dar uma paradinha no bar e aproveitar o pôr do sol por ali mesmo, já que não iria dar tempo de chegar a tempo na Urca.
O boteco tava lotado. Já não dava pra entrar. Pegamos uma brejinha com o tiozinho e sentamos no meio fio, em frente ao boteco e ficamos por alí mesmo curtindo o samba e conversando sobre como o Rio era um lugar incrível.
Aí, chegou um cara. Um malandro - sambista - carioca, com uma camisa branca surrada, toda amassada, calça social, sapatos sem engraxe, com um sorriso no rosto.
Veio até mim e disse:
_Moça, gostei de você. - Eu, meio sem graça, sorri e disse, sério, pq? (ele não tava me flertando, tava mais querendo fazer amizade mesmo).
_Cê é Chic e Humilde!
Eu, olhei pra Cyn e perguntei:
_E pq eu sou Chic e Humilde?
–PQ cê senta na calçada!
Eu estava trajando um vestido com estampas de balão, do Jun Nakao. É um vestido bonito, que tem um certo brilho contornando cada balãozinho da estampa... Sorri e agradeci e ele continuou:
– Vou te fazer um samba!
Bem, pode até parecer irreal, mas não sei da onde, surgiu um amigo dele, com um cavaquinho na mão e os dois começaram a cantar:
"Ela senta na calçada,
Ela senta na calçada,
E o vestido de balão,
Solta purpurina".
E assim, ganhei, num pôr do sol na Lapa, o samba do Chic e Humilde!
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
Vamos falar de moda?
Que surpresa de manhã! Este texto podia, em partes ser meu!
Quando decidi fazer moda, queria, em meu coração, ser uma artista, expressando através do vestuário, tudo aquilo que a alma pedia, mas logo em meu primeiro estágio, vi que não era possível.
Tive muita sorte de trabalhar por 4 anos em uma marca que confiava em meu trabalho ( Santa Clara ) e deixava-me livre para criar o que eu acreditava, mas o mercado não é assim... A busca pelo preço baixo para vender mais caro e assim obter um lucro gigante é real e acontece até na loja do zezinho...
Hoje, sai do mercado corporativo e trabalho com moda de uma outra maneira, através da educação e da arte, criando, desta forma, empatia pelas pessoas e as ajudando a exercer, aquilo que queria quando era jovem: se expressar e criar os seus modelos!
Consumo moda sustentável, gastando meu dinheiro em brechós, muito deles beneficentes, e fico muito orgulhosa quando confiro minha fatura do cartão de crédito e verifico que só tem ali gastos com cultura, arte e moda sustentável.
Além de peças de segunda mão, gosto de consumir trabalhos manuais, adora passear por feiras de artesanatos, pois prefiro pagar para quem faz o trabalho na fonte.
Me alegro com o sorriso das artesãs que me vestem quando compro algo delas, no mundo todo! Tento trazer um pouco disso pras pessoas que me cercam, e acredito que enquanto não olharmos com questionamento uma peça de 10, 20, 30 reais numa arara, lembrando do trabalho escravo da qual ela pode ter vindo, a situação destas pessoas, na outra ponte desta engrenagem, não irá mudar...
Seja você a mudança que espera pro mundo! Consuma consciente e valorize o trabalho manual como ele deve ser valorizado.
Namastê!
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