terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Apenas mais uma história...


( Esse texto foi uma resposta. Talvez fique um pouco vago, pois a primeira sequência não posso publicar aqui... Peço apenas que leiam com o coração)


O que ele não sabia, pois nunca ousou em perguntar, era que ela era fã de kings of convenience, e que até tinha cruzado um oceano para ver o show deles em Barcelona certa vez... E viu de pertinho, dançou todas as músicas, cantou, gritou, sozinha, e por fim, tentou ver um outro show deles, mais intimista, num teatro, mas acabou chegando atrasada e decidiu andar pelas ruas molhadas de Barcelona, bebendo cerveja barata de bar em bar, somente pela vontade de conversar com alguém... Acho que ela, na verdade, sempre esteve esperando encontrar alguém realmente especial, mas, por mais que ela tentasse, ninguém chamava sua atenção por completo... Ela até que tentava, tinha um caso ali, outro lá... Mas sempre estava sozinha!

Sua vontade de vivenciar novas situações e de curtir isso, encantava.
Tinha o dom da fala e facilmente fazia amizades, e isso era
perceptivo, era um traço marcante de seu personagem complexo. As
pessoas logo se identificavam com ela, pois ela podia falar sobre
qualquer assunto, do mais intelectual ao mais banal, todos de uma
forma tão mágica, e de uma perspectiva tão esquisita,que acabava
envolvendo...

Mas, o fato é que ela via o mundo de uma forma diferente, através de
lentes cor- de- rosa. Era fácil se apaixonar por ela, mas amá-la?
Ahhhh, aí já era uma outra história... Quem teria realmente coragem de aceita-la daquela forma?

Um dia ela cruzou a Augusta, até a Brigadeiro e acabou entrando numa livraria, por impulso, sem planejamentos. Tentava escolher algum livro pra começar a ler, pois gostava de passar horas dentro de seu apartamento com seus gatos... Foi até a sessão de cinema e escolheu um título: " Jules e Jim" e foi até o caixa... Quando ele a viu, quis puxar assunto, pois tinha se encantado pelo seu estilo meio chamativo de se vestir... Num momento meio súbito, soltou um: “Ahhh esse filme é o meu preferido, de todos os tempos!” - Ela riu, achou graça no jeito meio sem jeito dele e acabou ficando horas na livraria do lado do caixa conversando com ele...

A princípio, ficaram amigos, marcavam de almoçar toda segunda feira,eram almoços longos e ele sempre chegava atrasado na loja, e isso começou a incomodar seu gerente...

E assim foi, eles foram se apaixonando e quando perceberam, ele não
saia mais da casa dela. Eram encontros divertidos, as vezes mágicos,
outros nem tanto... Era bom dividir o tempo com ela!

Ele nunca perguntava nada sobre ela, tampouco ela pra ele, talvez pelo medo das respostas, preferiam falar sobre assuntos triviais, sobre música, sobre filmes, sobre o acaso, sobre o tempo... E riam! Sentiam uma espécie de felicidade pura... Felicidade pura? E isso existe? Bem, pra eles parece que sim...

Ela gostava de preparar o jantar para ele, não que cozinhasse bem, mas pensar nos detalhes, nos sabores, no cheiro do incenso que iria
acender, era um momento especial, pois, depois de muito tempo, ela
achava graça em alguém e tinha vontade de recebê-lo bem, de fazer com que aquele encontro fosse tão especial pra ele, como era para
ela... Sempre o recebia com um sorriso nos lábios, que se refletia em
seu olhar.  Ela o amava em silêncio, uma espécie de amor
incondicional, como esses de pai pra filho e isso ela nunca tinha
sentido por alguém, pois é tão difícil amar alguém sem pedir nada em troca... Claro que ela tinha medo, quem nunca sentiu medo de se
entregar pra alguém? Mas a vontade de planejar bobagens com ele era tanta, que ela resolveu arriscar...

E, numa noite, as coisas aconteceram de forma diferente. Eles não
conversaram, eles apenas transaram, várias vezes, desesperadamente!
Ela, então, previu o que estava para acontecer e aceitou: Ele nunca mais iria voltar!

E foi o que aconteceu...

Mas o engraçado disso tudo, é que ela não ficou triste por ele ter ido
embora, mesmo esperando todos os dias pela sua volta. Ela simplesmente o agradecia. Pode parecer estranho, mas ela estava plena, por ter conseguido sentir essa forma tão linda do amor! No fundo, o que ela queria, era que ele simplesmente abrisse seu coração para receber essa coisa toda, sem julgamentos, sem perguntas, somente porque era bom!

(...)

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