terça-feira, 1 de abril de 2014
Em busca do sagrado feminino nos tempos modernos – Uma reflexão sobre a energia feminina
Muito tem se falado sobre a pesquisa realizada no Brasil, onde uma maioria dos homens respondeu que dependendo da roupa que a mulher usa, ela deve SIM ser estuprada, o que tem causado uma grande polêmica e revolta.
O resultado dessa pesquisa, mostra de forma clara o sistema de crenças da sociedade patriarcal, que se instaura na sociedade hoje. A revolta que gerou a tal pesquisa, o descontentamento com o atual modelo organizacional.
Houve um tempo em que a sociedade era Matriarcal, onde o culto as deusas e a mãe terra era divino e sagrado.
Não posso abordar o tema sem citar a Deusa Lilith. Falo de Lilith em sua forma pura, não da forma como foi desurpada por seu mito judaico- cristão.
Lilith tem sua imagem associada a Coruja, e teu nome também se dá a Lua negra. Ela é a deusa da sexualidade e fertilidade.
Sua história, começa com Innana, conhecida como “rainha dos céus”. Innana, por sua vez, nos fala sobre os costumes sexuais sagrados, e toda a energia vinda através dessa prática.
Em seus templos se praticavam a prostituição sagrada e os homens da comunidade procuravam as sacerdotisas desse templo a fim de se conectar com a Deusa, o ato sexual era sagrado e proporcionava a cura física e espiritual. Ainda hoje, os homens não tem a capacidade de limpar suas áureas sem a ajuda de uma mulher, necessitam se conectar com essa energia através do sexo para poder ter suas áureas totalmente limpas.
Quando os Sumerianos começaram a ter contato com as culturas patriarcais, preveram que, para dominar seu povo, teriam que atacar seu maior centro de poder: O templo do sexo sagrado. E foi aí que as repressões sexuais começaram, tudo que estava ligado ao culto a Deusa, deveria ser combatido, e foi associado ao maligno. As práticas sexuais se tornaram parte da sombra e o poder feminino, mal e demoníaco.
Então, como toda história precisa de um bode expiatório, Lilith, que durante séculos procurava os homens para levar a estes templos, se tornou, no patriarcado, símbolo do mal supremo. Lilith passa a encarnar o medo atávico do homem ao poder sexual feminino.
Lilith, na tradição matriarcal, é uma imagem de TUDO O QUE HÁ DE MELHOR NA SEXUALIDADE FEMININA - A NATUREZA DA MULHER, O PODER DO SANGUE MENSTRUAL, que é o poder da Lua Escura. O período normalmente dedicado a Lilith, naquela época, era exatamente o período menstrual. O momento em que as mulheres poderiam ter relações sexuais livres da possibilidade de gravidez e, por isso, tais relações estariam exclusivamente ligadas ao prazer.
A reação judaica foi muito rápida e fulminante: transformou em pecado e tabu o sexo no período menstrual - uma artimanha para ACABAR com o culto a Lilith. A segunda foi criar "regras" para a relação sexual - particularmente, regras que garantiam o prazer masculino, mas negava e proibia o prazer feminino.
Conhecer a figura de Lilith é lembrar de um tempo no passado antigo da humanidade em que as mulheres eram honradas pela INICIAÇÃO SEXUAL, onde expressavam sua LIBERDADE E PAIXÃO NATURAL.
Hoje, depois desses séculos todos de um patriarcalismo opressor, Lilith volta como uma DEUSA NEGRA, ou seja, a energia feminina trancafiada nos calabouços da psiquê de toda a humanidade: para os homens, ela é um desafio; para as mulheres, um arquétipo.
Durante a idade media, com a instauração da Igreja católica, o sagrado feminino foi, mais uma vez, perseguido. Isso pode ser identificado no grande numero de santos que existem e em como poucas mulheres são citadas e reconhecidas como santas.
Não quero condenar a igreja católica, mas os fatos existem e estão aí. Não dá pra negar o grande numero de mulheres que foram queimadas vivas por serem acusadas de magia, de bruxaria, de misticismo, tirando outros fatos... Muitas mulheres que aparecem e são citadas no velho e no novo testamento, tiveram suas histórias ligadas a maldições, a obscuridade, vide como são contadas as histórias de Maria Madalena e Joana Darke na bíblia.
Enfim, mas não vou me estender a esse assunto, pois a questão que quero abordar aqui, é o resgate do sagrado feminino nos dias atuais, este sagrado que se perdeu, que também foi distorcido durante este longo Período sobre o domínio dessa ideologia de que o homem é a maior autoridade, e onde as pessoas que não se identificam a ele ( isto é, aquelas que não são do sexo masculino), devem ser subordinadas, prestando-lhe obediência.
A mãe terra tem a energia Yin (feminina) e a Lua representa essa energia, que, de fato, exerce maior influência na terra: ela que rege as mares, as colheitas a astrologia e o ciclo menstrual.
A energia solar, Yang (masculina) exerce um domínio muito menor na mãe terra, porém, também é extremamente necessária.
O que quero dizer, é que com essa passagem da sociedade matriarcal para a patriarcal, o poder divino feminino foi suprimindo, sendo visto como ameaça, e jogado a obscuridade. Para que a sociedade fique em equilíbrio, esse excesso de energia Yang, deve ser revertido pelo resgate da energia do sagrado feminino, existente em todos nós.
A energia Yin, está ligada a sombra, ao interno, ao silenciar. Ela é uma energia intuitiva, está ligada ao sentimento. Para entrar em contato com ela nos dias atuais, é preciso se voltar ao interno, se conectar a mãe terra, voltar de alguma forma aos tempos em que éramos bichos e não gente.
É preciso retomar o Sagrado feminino para equilibrar as energias presentes aqui na terra. Dessa forma, viveremos num mundo onde as diferenças serão menores e assim possa se criar uma nova sociedade, mais igualitária, menos discriminatória e exploradora.
Ahooo!
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